Segurança cibernética na automação de subestações: requisitos e boas práticas

Segurança cibernética na automação de subestações: requisitos e boas práticas

Sua infraestrutura de automação está realmente protegida contra ameaças digitais modernas? Com o avanço dos sistemas digitais de proteção, controle e supervisão, o acesso a dados e comandos em tempo real aumentou substancialmente. Essa integração exige defesas cibernéticas à altura nas redes operacionais.

 

Por que o risco cresceu

Uma subestação convencional, com relés eletromecânicos e supervisão por contatos, tinha uma superfície de ataque pequena. Hoje, a mesma instalação tem IEDs com interfaces Ethernet, redes IEC 61850, gateways com protocolos de telecontrole, acesso remoto para engenharia e integração com centros de operação. Cada uma dessas interfaces é útil e necessária, e cada uma é uma porta de entrada em potencial.

 

O que a regulação exige

No setor elétrico brasileiro, a segurança cibernética está presente em diferentes instrumentos:

 

  • Procedimentos de Rede: o Submódulo 2.11 exige que as redes locais e as redes externas usadas na proteção disponham de mecanismos de segurança cibernética em todos os segmentos. A análise de riscos e a escolha das soluções tecnológicas são de responsabilidade do agente.
  • ANEEL: a Resolução Normativa nº 964/2021 estabelece a política de segurança cibernética a ser adotada pelos agentes do setor de energia elétrica.
  • ONS: a rotina operacional RO-CB.BR.01 (Controles Mínimos de Segurança Cibernética para o Ambiente Regulado Cibernético) define requisitos aplicáveis aos agentes que se relacionam com o ONS.

 

Além do arcabouço regulatório, as normas IEC 62443 (segurança de sistemas de automação e controle industrial) e IEC 62351 (segurança dos protocolos de comunicação do setor elétrico) são as referências técnicas mais usadas.

 

As barreiras na prática

Em subestações, a defesa se organiza em camadas:

 

  • Segmentação de rede: separar as redes de proteção, de supervisão, de engenharia e corporativa, com controle de tráfego entre elas. O princípio é que um problema em uma rede não se propague para as demais.
  • Controle de acesso e autenticação centralizada: contas individuais (não senhas compartilhadas de fábrica), perfis de acesso por função e registro de quem acessou o quê e quando.
  • Acesso remoto controlado: conexões de engenharia remota passando por um ponto único, com autenticação forte, autorização por intervenção e registro de sessão.
  • Hardening dos dispositivos: desabilitar serviços e portas não usados, alterar credenciais padrão e manter firmware atualizado conforme a política do fabricante.
  • Monitoramento: detecção de tráfego anômalo nas redes operacionais, aproveitando inclusive o monitoramento de mensagens já exigido para as redes de proteção.
  • Gestão de configuração e backup: cópias íntegras e versionadas das configurações dos IEDs, para recompor rapidamente uma instalação após um incidente.

 

O equilíbrio com a operação

Na automação de subestações, segurança e disponibilidade precisam caminhar juntas. Uma política que bloqueia o acesso da equipe de manutenção em uma emergência, ou um equipamento de segurança que introduz latência nas mensagens de proteção, cria um novo risco. Por isso as soluções precisam ser projetadas junto com a arquitetura de automação, e testadas no comissionamento como qualquer outra função.

 

Planos de contingência atualizados e treinados completam a estratégia: saber como operar a instalação localmente e como restaurar configurações em caso de incidente reduz o impacto de eventuais falhas.

 

Conclusão

A digitalização trouxe ganhos enormes de eficiência e diagnóstico, e a segurança cibernética é o que permite colher esses ganhos sem expor o sistema elétrico a um novo tipo de falha.

 

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